Enquanto boa parte do paddock da Fórmula 1 aproveita as raras semanas livres para recuperar o corpo e a mente, Max Verstappen faz o caminho oposto. Neste fim de semana, o tetracampeão mundial disputa a etapa de Portimão do GTWC Europa, fechando uma sequência ininterrupta de sete semanas consecutivas de competição que atravessa monopostos e carros de longa duração.
Um calendário cada vez mais apertado
A escolha de Verstappen ganha outro peso quando colocada ao lado da expansão recente do calendário da F1. Depois de mais de uma década operando quase sempre abaixo de 20 etapas por temporada, a categoria passou a crescer a partir de 2016 até alcançar 24 corridas em 2024 e 2025 - um salto superior a 26% em oito anos. Em 2026 o número recua ligeiramente para 23, com possibilidade de cair a 22 caso etapas do Oriente Médio sejam substituídas por Ímola, mas a tendência de expansão volta em 2027. Para encaixar tantos eventos, a F1 recorre a rodadas triplas, blocos de três corridas seguidas que multiplicam viagens longas, fusos horários diferentes e desgaste físico.
Da Ásia a Portugal sem pausa
A maratona do neerlandês começou no fim de setembro, com três GPs seguidos - Azerbaijão, Bahrein, Malásia e Singapura -, sendo Sepang a única etapa sem sprint no meio do caminho. Encerrada essa sequência, Verstappen embarcou para Portimão para representar a própria equipe no GTWC Europa antes de voltar à F1 para outra rodada tripla, desta vez na perna americana, com Estados Unidos, Cidade do México e São Paulo. Antes disso, o piloto já havia somado outras quatro provas de endurance em 2025, incluindo etapas da Nürburgring Langstrecken-Serie e as 24 Horas de Nürburgring, onde liderou boa parte da prova ao lado de Lucas Auer, Dani Juncadella e Jules Gounon antes de abandonar por problema técnico a poucas horas do fim.
Verstappen Racing e a ponte com o sim-racing
Em Portimão, Verstappen corre com o Mercedes-AMG GT3 EVO #3 da própria equipe, a Verstappen Racing, fundada em 2022 para ampliar sua presença fora da F1 e criar oportunidades para talentos vindos dos simuladores. Para 2026, a estrutura fechou parceria plurianual com a Mercedes-AMG, unificando operações na Sprint Cup e na Endurance Cup. Na classe Pro, Verstappen divide o carro com os britânicos Chris Lulham, formado no sim-racing pela Team Redline, e Ben Barnicoat, piloto de fábrica da Lexus e campeão da GTD Pro no IMSA.
Grid com Valentino Rossi e representantes do Brasil
A corrida também coloca Verstappen na mesma pista que Valentino Rossi, que disputa o campeonato pela WRT, atual líder da classificação. O grid reúne ainda nomes como Nikita Mazepin, Jake Dennis, Kelvin van der Linde, Maro Engel e Mirko Bortolotti. O Brasil tem presença confirmada com Christian Hahn na classe Silver e, na Bronze, Marcelo Tomasoni e o trio 100% nacional formado por Marcos Gomes, Alan Hellmeister e Sebastião Malucelli.