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Infantino é acusado de receber pagamento oculto ligado à Copa de 2026

Um levantamento do jornal britânico The Times colocou Gianni Infantino no centro de uma nova crise institucional na FIFA. Segundo a investigação, o presidente da entidade recebeu US$ 1,76 milhão em 2024 diretamente da FWC2026 US Inc., subsidiária criada pela FIFA para operar a Copa do Mundo de 2026, valor que não constava nos relatórios financeiros públicos da entidade. O caso ganha dimensão política justamente quando Infantino já enfrentava resistência crescente de federações continentais às vésperas da eleição presidencial de março de 2027.

O que mostram os registros fiscais

De acordo com a reportagem, os documentos fiscais apresentados nos Estados Unidos pela FWC2026 US Inc. revelam o pagamento direto ao dirigente suíço-italiano, à margem dos canais contábeis habituais da FIFA. A entidade havia assumido, em 2016, no contexto das reformas pós-escândalo de corrupção que marcaram a gestão anterior, um compromisso público de transparência sobre a remuneração de seus principais executivos. A não divulgação desse valor específico é apontada pelo The Times como uma quebra direta desse compromisso.

A investigação também detalha gastos superiores a US$ 550 mil cobertos pela FIFA para despesas pessoais de Infantino nos Estados Unidos, incluindo o aluguel de uma mansão à beira-mar em Sunset Islands, bairro nobre de Miami Beach, de propriedade do ex-CEO do Google, Eric Schmidt. O imóvel é avaliado em mais de US$ 20 milhões.

Um momento particularmente sensível

O episódio surge logo depois de a FIFA ter visto frustrado um plano de Infantino para vender 20% dos direitos de transmissão da Copa do Mundo a fundos de investimento americanos, iniciativa barrada pela UEFA em conjunto com organizadores de ligas como a Premier League e La Liga. Agora, a entidade europeia prepara uma queixa formal contra o presidente por suposta má gestão financeira, elevando ainda mais a tensão institucional.

Internamente, a FIFA optou pelo silêncio diante das perguntas do The Times, sem apresentar explicação sobre a origem ou a natureza do pagamento. A vice-presidente Debbie Hewitt, no entanto, rompeu esse padrão ao enviar uma carta cobrando de Infantino a entrega de todos os documentos financeiros ligados à subsidiária americana - um gesto raro de confronto aberto dentro da cúpula da entidade.

Futebol mundial dividido antes da eleição

O escândalo reforça uma divisão que já vinha se desenhando no futebol internacional. De um lado, UEFA, AFC e CONCACAF - três das confederações mais influentes - expressaram publicamente insatisfação com a gestão de Infantino. A aproximação da AFC ao campo crítico liderado pela UEFA, motivada por desentendimentos sobre distribuição de recursos e pela sobrecarga de calendário gerada pelo novo Mundial de Clubes, retirou do presidente parte do apoio que ele cultivava em mercados emergentes do futebol asiático.

Do outro lado, Infantino mantém respaldo entre federações de menor tradição, caso de boa parte da CAF, na África, e das associações insulares da Oceania, beneficiadas por fundos de apoio e pela promessa de ampliação do número de seleções nas futuras edições da Copa do Mundo. Esse apoio, no entanto, convive com uma oposição cada vez mais coesa das confederações de maior peso político e financeiro, o que projeta a eleição de março de 2027 como um dos processos mais incertos da história recente da FIFA.